um outro eu

Período sabático. É nisto que eu pensei enquanto me perguntava o porquê de simplesmente ter parado de escrever por escrever. Não há razão. E não há razão porque não precisa haver uma razão. Muita coisa aconteceu na minha vida: pessoas surgiram, nasceram… Outras foram embora. Boa parte da Letícia que eu fui também acabou partindo, de certo modo.

Esse é o lado positivo de nos darmos um tempo sem cobrança alguma. Desde criança, eu pré-determino prazos para mim mesma. A nota da prova tem que ser tal. O resultado do exame precisa ser tal. A data de entrega daquela matéria precisa ser tal. Acabei me tornando parte de um mundo onde o ponteiro do relógio não poderia pender para a direita se o meu desejo fosse de que ele estivesse à esquerda. Sou assim, vou fazer o quê? Ora, tu vais mudar.

E mudei.

2013 está sendo um ano clean. Um ano de dedicação, de olhar para o futuro e de planejamento sadio. Estou chegando ao final da minha graduação com mil projetos em mente já visando 2015, 2016, 2017… Mas tudo de um modo leve, que fluiu aos poucos – ao invés dos trancos e barrancos que eu impunha anteriormente.

Incrível como, em tão pouco tempo, podemos mudar tanto.

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com saudade do amanhã

 

Vai ver é o frio que deixa a gente assim, mais carente de atenção… Mas de uns dias para cá estou em uma fase nostálgica pela qual ainda não havia passado esse ano. E está sendo tão bom!

Revendo fotos antigas, relembrei não apenas as pessoas que marcaram a minha vida, mas também de momentos e singularidades que, pensava eu, “que pena que não voltam mais”. Mas aí é que está a graça da vida. Acontecimentos marcantes não podem se repetir, ou, caso contrário, deixam de ser tão especiais.

Fico feliz ao saber que já tive pessoas que chamei de amigos (e até melhores amigos), apesar de elas já não estarem mais na minha vida. Fico feliz ao pensar que tem tanta, mas tanta gente legal perto de mim – nem sempre fisicamente, mas desde quando isso importa?

Fico muito, muito feliz só em pensar que, se sinto saudade… É porque aqueles momentos me remetem a situações pelas quais eu cresci, sorri, chorei, e aprendi a ser gente grande sem deixar a criança de lado.

 

*

A saudade do ontem, do hoje e até do amanhã (precipitação sagitariana mode ON) nem é tão ruim assim.

do bem, de bem

Eu ando em uma daquelas fases “sou do bem, estou de bem”. Depois de um início de ano que fugiu das minhas expectativas mais felizes, minha cabecinha morena chegou à conclusão de que, opa, peraí, chega de reclamar.

Eu acredito que tudo que acontece comigo é um sinal de que algo positivo ou negativo está para chegar. E que, sem sombra de dúvidas, sou merecedora do que quer que aconteça. Se algo bom está energizando a tua vida, amigo, aproveita! Mas não esquece de que tudo que é bom passa. Exatamente como tudo aquilo que é ruim.

O segredo para manter um sorriso que dá gosto de se ver no rosto é deixar para lá aquilo que incomoda e fazer valer aquelas palavras dos sábios Timão e Pumba. Ou vai dizer que tu nunca cantou Hakuna Matata quando era criança?

A vida está aí e sabe-se lá quando vai acabar. Quero tudo. Quero mais. Eu amo pessoas incríveis e sou amada por homens e mulheres dignos de todo o tipo de admiração. Tenho um emprego que me dá liberdade para exercer o jornalismo, lido com gente diferente todos os dias, e compartilho minhas alegrias e tristezas com amigos dos mais diferentes gêneros.

Sou saudável, centrada e feliz. Quero mais para que?

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PS: Feliz 2012! :) Que este ano seja tão revelador e positivo para vocês quanto está sendo para mim.

a beatlemania volta para ficar

O sol tímido do inverno norte-americano brilhava no céu de Nova Iorque quando a aeronave Pan American, vinda de Londres, pousou no aeroporto internacional da cidade. Mais de três mil corações esperavam ansiosos pela chegada de quatro jovens de Liverpool que prometiam mudar a partir dali a história da música no mundo. Gritos, histeria e lágrimas eram o indício de que os Beatles pisavam pela primeira vez, em 7 de fevereiro de 1964, no território dos Estados Unidos da América. Este era o começo da febre comportamental chamada Beatlemania.

Cerca de cinco décadas depois, a história se repete. Após 17 anos sem pisar em solo tupiniquim, o ex-baixista da maior banda de rock de todos os tempos, Paul McCartney, aterrissou no Brasil em novembro de 2010. Passados seis meses, o astro retornou ao país para uma apresentação dupla no Rio de Janeiro. A visita do músico despertou nos brasileiros uma paixão que havia sido esmaecida após o término dos Beatles, em 1970.

Com a morte de John Lennon e George Harrisson, ex-guitarristas do conjunto, e com os shows de Paul no Brasil por dois anos consecutivos, restava apenas o baterista Ringo Starr dar o ar da graça em território nacional. Mas isso não é mais problema: o talento do beatle pôde ser visto em sete oportunidades neste mês de novembro. A data não marcou apenas um momento histórico para a tietagem brasileira, mas também visita inédita que Starr realizou à América do Sul – ele nunca havia posto os pés nos países latino americanos.

De geração para geração

O primeiro presente que João Gabriel Vendruscullo ganhou do avô paterno logo após o seu nascimento foi uma mini camiseta com a estampa de Paul, John, Ringo e George atravessando a clássica avenida Abbey Road,em Londres. Hojecom 19 anos, ele exibe com orgulho a peça que o transformou em mais um seguidor da banda inglesa. “A maioria das crianças cresce ouvindo músicas infantis. Eu cresci ouvindo as canções clássicas dos Beatles”, conta o estudante de Biologia.

A tradição beatlemaníaca da família Vendruscullo é praticamente um ritual. Mesmo os parentes que não se tornaram devotos às melodias do quarteto conhecem, no mínimo, uma característica do conjunto. “Aprendi tudo sobre a banda com o meu avô Alcides. Meu pai, entretanto, nunca gostou muito banda, mas sabe bem mais coisas sobre eles do que muitas pessoas que se dizem fãs”, explica.

O retorno de Paul McCartney e a primeira apresentação de Ringo Starr no país marcaram a vida de João Gabriel. O estudante pôde ver, ineditamente, seus maiores ídolos a poucos metros de distância, como uma espécie de desenho animado que se materializava em cima do palco. As mãos suadas, o cabelo imitando os astros, a voz que saía aos berros, as lágrimas incontidas e o óculos àla John Lennoncompunham a imagem perfeita do retorno do fenômeno da Beatlemania. “Ver o Paul com o lendário baixo e o clássico terno azul foi o melhor momento da minha vida”, revela João, falando sobre a apresentação de McCartney em novembro de 2010, no Estádio Beira Rio,em Porto Alegre.

Os Beatles hoje

As canções de rock crítico e romântico produzidas pelos Beatles continuam sendo bem aceitas pelos jovens da atualidade. Apesar de a época de grande sucesso dos reis do iê-iê-iê já ter cessado, ainda podem ser encontrados resquícios das palavras entoadas pelo quarteto de Liverpool. “Em apenas oito anos, a banda mudou a ideia do rock, influenciando o comportamento da juventude e criando uma linguagem musical única. Ninguém nunca havia feito isso antes”, declara a relações públicas Camila Ferreira, de 26 anos, fã do conjunto desde 1995. “Os grupos de modinha fazem sucesso por um tempo e logo acabam. Os Beatles sobrevivem do mesmo jeito que antigamente”, encerra a tiete.

O segredo dos ingleses? Ninguém sabe. Meio século depois da década de euforia, os três mil corações que esperavam os músicos no aeroporto de Nova Iorque em fevereiro de 64 aumentaram em um número incalculável. A mania continua à solta e o mistério do sucesso dos Beatles segue até hoje.

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Este texto foi elaborado para a disciplina de Redação Jornalística II, sob orientação da professora Anelise Zanoni.  A reportagem será publicada (não exatamente na íntegra) no Jornal Babélia, publicação semestral do curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

muito prazer, meu nome é letícia

Passa o tempo, passa a vida… E eu vou me descobrindo. O ápice do meu autoconhecimento (convenhamos, que chatice essa coisa de se conhecer bem) entrou em ebulição nas últimas semanas. Tô de saco cheio. Cansei de crescer. Cansei de responsabilidades.

Quer saber? Não quero mais saber de nada. Não quero mais ter que me preocupar com os problemas da minha mãe, que não sabe se impor contra o marido e aceita todo o tipo de desaforos. Não aguento mais ter que me preocupar com as futuras complicações psicológicas da minha irmã de 10 anos por causa desse separa-não-separa deles dois. Cansei de ter que agradar aos avós maternos, que funcionam mais como uma espécie de pais: eles me amam, eu amo eles, mas o que fazer com essa necessidade insaciável de satisfazê-los? O que eu faço, afinal de contas, com a MINHA opinião?

Juro que pensei que fosse tolerar para sempre  as atividades corridas, que fazem com que eu trabalhe mesmo quando estou descansando. A pressão, a vontade de ser destaque em tudo, e essa droga de perfeccionismo que tira o meu sono e leva meus nervos muito mais do que à flor da pele acabam comigo. Não quero ser a responsável pelos cuidados de saúde, segurança e bem estar da minha família. Não quero mais ter que me esforçar para agradar a todos os meus amigos, para que cada um deles sinta-se à vontade comigo. Até para os meus cachorros sobra, tadinhos. Tô de saco cheio até de ter medo de escrever coisas deste gênero, porque sempre tem um politicamente correto por perto (incluindo eu mesma) que sempre fala que ‘existem pessoas em situações piores’. Eu sei, oras, e essa é outra coisa que me tira do sério. Porque diabos eu fico um dia inteiro mal depois de ver um mendigo pedindo esmola? Eu tento, mas sei que não vou mudar o mundo. O pior disso é que a culpa… A culpa é de quem, mesmo? Eu que deixei as coisas chegarem ao ponto aonde chegaram. Eu que não dei limites às vontades dos outros e acabei perdendo em algum  lugar o livro onde se ensina que o amor próprio é o mais importante.

Cansei de ser gente grande. Não quero mais fazer parte dessa brincadeira chata. Ei, moça, por favor, onde eu compro uma passagem só de ida para a minha infância?

o fim (?)

O mais difícil da morte é aprender a aceitá-la. Falar sobre sua existência nem é necessário – visto que todos os dias perdemos pessoas mundo afora. Às vezes, entes queridos, quase sempre, alguns desconhecidos. Saber que aqueles que amamos – ou mais: que nós mesmos temos tempo de validade na Terra serve como um toque de alerta. Nada, absolutamente nada, temos a perder durante a vida.

Desde ontem venho me fazendo uns questionamentos sobre o que realmente vale a pena para a minha existência. Será que é válido deixa-se levar por pessoas negativas? Preocupar-se com coisas banais enquanto centenas de milhares de pessoas são torturadas e humilhadas? De que adianta, na realidade, levar tudo tão à sério? A vida é bem mais do que isso.

Faz um tempo que ouvi uma querida professora falar sobre um conhecido seu, autoridade poderosíssima de Porto Alegre, que deixava sempre ao lado de sua cama uma caveira humana. Ele fazia isso para não esquecer – jamais – que poder nenhum irá livrá-lo da morte.

É claro que é muito melhor a vida do que a morte, mas esta primeira só tem valor porque sabemos da existência da segunda. Todos os nossos atos não teriam a mínima importância se fôssemos eternos.

*

“Lembrar que eu estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que eu encontrei para me ajudar a fazer grandes escolhas na vida. Por que quase tudo – todas as expectativas externas, todo o orgulho, todo o medo de se envergonhar ou de errar – isto tudo cai diante da face da morte, restando apenas o que realmente é importante. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira para eu saber evitar em pensar que tenho algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir o seu coração.

Steve Jobs – 1955-2011

a bala da menina bonita

A vida dá lições diárias a todos nós e, na maioria das vezes, não as enxergamos. Parece difícil olhar para o lado e ver que, poxa, há centenas de milhares de pessoas em situações muito piores ou diferentes que as nossas e que não deixam de ostentar um baita sorriso no rosto.

Faz mais ou menos meio ano que uma criaturinha tem chamado a minha atenção. Selvino Fioreze, de 72 anos, é o gari da rua do jornal onde eu trabalho. Todas as manhãs, logo no início do dia, quando passo por ele carregada de coisas do próprio jornal e da faculdade, vejo um sorriso aberto vindo na minha direção e algumas palavras doces que fazem, no mínimo, aquela manhã valer a pena: “Bom dia minha senhora. Sol bonito hoje, né?”.

A simplicidade do cumprimento, a educação e a pureza daquele olhar cansado, mas ao mesmo tempo feliz por estar vivo, radiante, tem sido, sem hipocrisia, uma alavanca de força de vontade para o meu dia a dia. Há uns dois meses entrevistei ele como sendo o morador mais antigo do bairro onde vive e descobri alguns dos segredos do Seu Fioreze, que, tenho certeza, JAMAIS vão sair da minha lembrança. “Por que vou ficar em casa sem fazer nada se Deus me deu dois braços e duas pernas perfeitas para trabalhar?”. E, rindo, ele desafia: “Aposto que os jovens de hoje em dia não fazem nem metade do que eu faço”.

Às vezes, quando passo pelo gari (que, por sinal, é extremamente cuidadoso e caprichoso) durante o dia e já vou puxando um assunto para conquistar cada vez mais essa incrível pessoa, ele enche meu coração de alegria ao retribuir meu carinho. “Uma balinha para a menina mais bonita de Gramado”. :)

Uma vez ouvi de uma das pessoas mais importantes da minha vida que temos vários anjos da guarda, que surgem das mais diferentes formas com objetivos totalmente distintos. Na época (uns oito anos, mais ou menos) aquilo não fazia sentido. Mas hoje, parando para pensar, acho que eu acabei de encontrar um dos meus anjinhos. Que assim seja.